Acordo cedo pronto para mais um dia esgotante. Abro o armário e não tenho duvidas hoje vou levar vestido o equipamento do meu clube, e não me posso esquecer do cinto com a pistola. O pequeno-almoço é fundamental, como tenho pressa só vou comer duas torradas e o copo de leite que a minha mãe preparou.
A escola não é muito longe e sendo assim atesto os ténis de alegria enquanto espero pela minha vizinha da frente.”Juízo aos dois!” ouve-se de ambos os lados da rua. Ela conduz umas sandálias todo o terreno que por vezes deixam os meus ténis ficar para trás. E vamos rua fora dizendo adeus aos pais. Sentamo-nos no degrau da pastelaria e com a boca cheia de creme e açúcar rimo-nos do tudo e do nada. Já vamos chegar atrasados, as cores e formatos do trânsito, fazem-nos andar numa roda-viva, alguns lançam-nos olhares reprovadores, talvez nunca tivessem conhecido a nossa ordem de cavaleiros, outros por outro lado desviam-se e abrem-nos passagem, por entre uma festa no cabelo, sabem bem quem somos e que vamos em marcha de urgência. A primeira aula já foi, temos isenção de horário mas não podemos faltar ao briefing deste recreio, é muito importante que fique já tudo certo para a brincadeira do próximo intervalo que é o maior. Dito e feito, a humanidade dependia de nós e nesse intervalo demos tudo, joelhos, botões da roupa e até atacadores. O sorriso estampado naquelas caras de tomate comprovava-o. Um almoço rápido, com varias gelatinas no fim, ainda tinha muito que brincar. Hora da saída, tinha ainda tanto que fazer, não sem antes ir a cervejaria comer tremoços e beber Sumol. Deixo a mala a fazer de baliza e siga! Até haver luz só havia direito ao copo de água que a vizinha dava sempre, de resto era no duro Desta vez não há horas para ir para casa, podemos ficar mais um tempo em reunião se perguntarem. Definir estratégias para irmos à fruta, saltar quintais, fugir dos cães e no fim dividir o espólio entre todos irmãmente. Não interessava quem subiu, quem apanhava em baixo, quem não ia com medo, no fim era de todos. E a noite quente estava mesmo a pedir uns cowboys e uns índios , depressa nos dividimos pelo oeste selvagem daquela rua sem saída Só paramos exaustos para fumar o cachimbo da paz. Sentados nos muros riamos sem dó nem piedade, sem nada que nos dividisse. Esse sorriso de meninos igual em tantas culturas, tantas línguas, tantas cores. Esse sorriso sem classes, sem ricos e pobres, porque tu aqui neste oeste selvagem só podes ser uma de duas coisas: Cowboy ou índio!
EXCELENTE!!!!
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