quarta-feira, 21 de julho de 2010

4ª Dimensão

Corro. Por entre virgulas, pontos e travessões, interrogações, exclamações, declamações, monólogos, diálogos, romances e ficções. Corro. Salto por cima das letras maiúsculas, passo ao lado das minúsculas, por vezes contemplo a letra de impressa e admiro a escrita à mão, sento-me nas borrachas a olhar para os três pontos e imagino onde vão. Paro no ponto final e olho o horizonte do paragrafo. Deixo-me levar pela tinta permanente e ao fim do dia estendo-me num mata-borrão. Vivo num castelo de giz num quadro qualquer, tenho jardins de canetas de cor e faço uma bola grande com a cor amarela. Arranco uma folha de papel e empurro um lápis de carvão que as vezes até faz sentido. Salto de tecla em tecla na velha maquina de escrever. Entre línguas, dialectos, letras, que contam historias e vidas, livros que guardam pela ordem certa as letras do abecedário, que guardam o que fomos, o que somos, com uma ternura incondicional, viajo pelo passado. E se o tempo é uma 4ª dimensão não é preciso grandes aritméticas para o provar, basta deitar-nos nesta teia ardilosa e viajar.

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